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24 de julho de 2011

Largo de Camões

O Chiado sob o olhar atento de Camões
Foto: Nara Franco
Já falei aqui da Rua Garrett, em Lisboa, que é o coração do Chiado. Volto a recomendar este local como destino aos viajantes. Destino para hospedagem, compras e gastronomia. Ali é o pólo cultural e intelectual da cidade, que mistura história e modernidade. A rua começa na Rua Nova do Almada e subindo, subindo, chega-se a esse largo aí do lado: Largo de Camões

Assim como Fernando Pessoa e Vasco da Gama, Camões recebe muitas homenagens por toda a cidade. Essa é uma das mais bonitas na minha opinião. Dei sorte por pegar um dia de frio, mas de céu azul e sol. Fui desbravar a parte Alta do Chiado começando por ali. 

Mas antes, no caminho, dê uma parada na Livraria Bertrand. Fundada em 1723, a Bertrand é hoje uma rede no país com mais de 50 filiais espalhadas em solo luso e na Espanha. Nela, escritores como Eça de Queiros, Antero de Quental e Ramalho Oritgão discutiam o futuro político e social de Portugal pelos idos de 1780. Um lugar histórico, certamente, que não despertará interesse assim em um olhar rápido. No entanto, caro leitor(a), se você é amante da boa literatura, vale uma paradinha ali para uma foto. 

Camões, do alto de seu monumento, diz "até" para o Chiado. Pois dele para frente, tudo se chama Bairro Alto, a região boêmia da cidade. 

Transporte público: linhas verde e azul na estação Chiado.

Posted by Picasa

13 de abril de 2011

Cidade Alta

Saí do Café Nicola com a intenção de enfim conhecer a Rua Garrett com sol. Já tinha passado ali várias vezes, mas sempre à noite ou com dia nublado e invariavelmente meu passeio parava na estátua de Fernando Pessoa, que fica logo em frente à saída/entrada do Metrô, estação Chiado. Como fazia sol, o dia estava de um azul de chorar e o passeio era convidativo, fui subindo a Garrett até o Largo de Camões, que não por acaso tem uma estátua do escritor Luís de Camões gigantesca bem no centro. 

Uma coisa que aprendi em Lisboa é que os portugueses quando não está homenageando Vasco da Gama, estão falando de Camões ou de Fernando Pessoa. Cabral, coitado, acho que ficou em segundo plano por ter descoberto o Brasil. Mas tudo em Lisboa ou chama Camões ou Vasco. Um pouco menos em se tratando de Fernando Pessoa, que também é citado a cada dois restaurantes ou bar ou café. Todo café que se preze em Lisboa tem uma placa dizendo que em algum momento da vida Fernando Pessoa passou por ali. Pitoresco. 

Estando na praça, você já se encontra na parte Alta de Lisboa, o bairro boêmio e "indie" da cidade. Mas de manhã é igual a todos os outros. Minha idéia era caminhar até o Elevador da Bica e com ele chegar a parte baixa da cidade de novo. Por que? Daquela parte seria mais fácil chegar ao Cais do Sodré, meu próximo destino. 

#ficaadica
Eu com o Elevador de
Santa Justa ao fundo. 

Andar de funicular não vai ser sua maior emoção em Lisboa. O bonde de Santa Tereza, por exemplo, reserva vistas mais bonitas, por exemplo. Opte em conhecer o Elevador de Santa Justa se o tempo de viagem for curto. O Elevador da Bica é quase um plano inclinado que liga dois pontos sem muitas atrações. A passagem não é das mais baratas e o pitoresco do passeio, que dura poucos minutos, são aquelas casinhas com roupas penduradas na janela (que você vê aos montes na Baixa). 

Amiga Bebete, grande conhecedora de Lisboa, me confidenciou certa feita que não gostou de andar nesses funiculares. Ela, expert em mapas, sempre me ajuda na localização de ruas impossíveis. Em Lisboa, ela costuma dizer, é programa certo ir ao terraço do Santa Justa para uma boa foto panorâmica da cidade. 

Amiga Bebete sabe das coisas!

1 de abril de 2011

Cervejaria Trindade

Depois de muito andar por Belém e conhecer três dos mais importantes pontos turísticos de Lisboa, tomei o caminho de volta à Baixa e achei que era muito justo sentar para degustar algo alcóolico e absorver tudo que vi durante o dia. Fazia frio, ventava muito e nada mais justo que uma cervejinha para aplacar a alma e, no meu caso, as dores nas pernas. 

Mas, Narinha .. Cerveja? No frio? 
Isso mesmo. Depois de andar muito nada pode ser mais gostoso que uma cerveja. Até mesmo quando o tempo "lá fora" diz o contrário. E outra: quando se tem esse maldito hábito do chope, o clima não chegar a ser assim tão relevante, né?

Os painéis de azulejos dão um clima antigo à Cervejaria
Trindade, orgulho de Portugal.
Foto: Nara Franco

Diante de necessidade tão urgente, fui conhecer a "mais bela e antiga cervejaria de Portugal". Apesar da ladeira que tive de encarar para chegar até ela, valeu muito a pena chegar lá com a língua no pé e a sede tinindo. Estava eu prestes a entrar na Cervejaria Trindade, um orgulho português. 

A primeira cerveja desceu tão rápido que o pobre garçom já trouxe a segunda logo num canecão para ver se eu ficava mais tempo por ali. Tadinho, né?

Há duas cervejarias Trindade em Lisboa: uma no Chiado e a segunda no Campo Pequeno. Minha escolha, por ser mais próxima ao hotel, foi a primeira opção. Subi pela Rua Garrett, a mais famosa do Chiado, e peguei a Rua Nova da Trindade, onde está a cervejaria. A princípio, pelo tamanho do lugar, você pode até achar que é programa furado. Mas, acredite: não é.

Essa é uma casa tradicional, onde famílias e amigos de variadas idades se juntam para jogar conversa fora e saborear a cerveja da casa, responsável pela fabricação da famosa Sagres. A casa funciona das 11h a 1h30. Todos os dias. 

Escolha uma das "salas" e aprecie o vai e vem de garçons e boêmios. Por que salas, vocês devem estar perguntando? Como a maioria dos lugares em Portugal, a Cervejaria Trindade foi um convento. O Átrio, como eles chamam, é a entrada. Em seguida, tem o refeitório, onde eu sentei. Os painéis de azulejos nas paredes dão um toque muito interessante ao lugar e você se sente realmente em um bar diferente. No site da cervejaria, toda a história do Convento da Trindade, da fabricação da cerveja que dá nome ao lugar e das salas que hoje estão por lá, está minimamente detalhada. 

Bebi, bebi e chegou a hora de comer. A especialidade da casa é bife. Há vários tipos. Todos vêm em uma frigideirinha, com molho e batata frita. Comi também um bolinho de bacalhau, que, sinceramente, é melhor no Brasil. Mas o bife é bem gostoso. Super macio. 

Ah! Em todas as mesas há um couvert padrão: pão, queijo, manteiga. Você só paga se consumir. Fica tudo fechadinho. Eu não comi porque - confesso - estava de olho no super bife. 

Devidamente bebida e comida, já com a perninha anestesiada, desci a ladeira no embalo e fui direto pro hotel. Pena que o ar frio dá um baque naquela sensação boa de estar de porre. Quando ela ainda é boa, claro. Só digo uma coisa: dormi como um bebê!