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24 de fevereiro de 2011

Torre de Belém

Caminhando pela margem do Tejo após saborear um bom tinto, cheguei à  Torre de Belém, terceiro elemento que torna a localidade de Belém (desculpem, mas a repetição foi inevitável) destino certo daqueles que visitam Lisboa. A Torre, que na verdade é quase um forte, é um dos monumentos mais expressivos da cidade (assim como o Padrão dos Descobrimentos). Mesmo sem nunca ter ido lá, certamente você já a conhece de fotos, filmes, revistas, documentários etc. 

A primeira coisa que posso dizer sobre a Torre é: lá não há banheiro. A segunda: prepara-se para subir muitas escadas. A terceira: as pessoas eram bem pequenas pelos idos dos séculos passados. Digo isso porque portas e janelas da torre são minúsculas e imaginar soldados tendo de ficar ali de prontidão com aquelas roupas super pesadas ... ui! tive certa claustrofobia.
Lateral da Torre de Belém
Foto: Nara Franco
Comprei a entrada conjunta com o Mosteiro e entrei na Torre fugindo de um grupo de turistas japoneses. Nada contra o pessoal do Oriente, mas queria admirar o monumento sozinha. Para quem não sabe (como eu também não sabia), a Torre de Belém foi classificada como Património Mundial pela UNESCO e eleita uma das Sete maravilhas de Portugal.

Como todo monumento em Lisboa, a Torre foi construída em homenagem a São Vicente de Saragoça, padroeiro da cidade, a fortificação integrava o plano defensivo da barra do rio Tejo projetado à época de João II de Portugal. Andando pela torre e observado a localização de janelas e mirantes, nota-se a ampla visão que se tinha da cidade e a capacidade de protege-la por todos os lados do Tejo. É interessante ouvir o vai e vem das ondas batendo na construção e sua beleza. Fiquei imaginando a umidade e frio pelo qual passavam os soldados portugueses.

A estrutura da Torre só foi iniciada em 1514 sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), tendo como arquiteto Francisco de Arruda. Localizava-se sobre um afloramento rochoso nas águas do rio, em frente à antiga praia de Belém, e destinava-se a substituir a antiga nau artilhada, ancorada naquele trecho, de onde partiam as frotas para as Índias.
Visão do alto da Torre de Belém.
Ao fundo, Padrão dos Descobrimentos.
Foto: Nara Franco

Concluída em 1520, seu primeiro alcaide (prefeito) foi Gaspar de Paiva, nomeado para a função no ano seguinte. Com a evolução dos meios de ataque e defesa, a estrutura foi, gradualmente, perdendo sua função defensiva original. Ao longo dos séculos foi utilizada como registro aduaneiro, posto de sinalização telegráfico e farol. Seus paióis foram utilizados como masmorras para presos políticos durante o reinado de Filipe II de Espanha e, mais tarde, por João IV de Portugal


O grande barato da Torre está em seus detalhes, apesar de ser praticamente uma fortaleza. Em sua decoração exterior encontram-se cordas com nós esculpidas em pedras, torres de vigia em estilo mourisco (que infelizmente encontravam-se mal conservadas) e ameias em formas de escudos da Ordem de Cristo. Não a vi à noite, mas deve ser interessante admira-la iluminada.

Há placas contando a história da torre em todos os pavimentos onde o visita pode circular. Atenção com as escadas que são estreitas e em forma circular. Deu uma certa tonteira ao descer. Detalhe para a figura de um rinoceronte, que hoje mais parece um porquinho, presente em um dos pilares da Torre. Pelo que li no guia, aquela figura foi a primeira representação de um rinoceronte em terras portuguesas.

O interior é mais sombrio e na parte de baixo estão as 16 canhoneiras que protegiam a cidade. Subindo, você passa por cinco pavimentos descritos como:
  • Primeiro pavimento - Sala do Governador
  • Segundo pavimento - Sala dos Reis
  • Terceiro pavimento - Sala de Audiências
  • Quarto pavimento - Capela
  • Quinto pavimento - Terraço da torre
O terrapleno, guarnecido por ameias, constitui uma segunda linha de fogo. Ali está o santuário de Nossa Senhora do Bom Sucesso (foto ao lado) com o Menino, também conhecida como a Virgem do Restelo.

Terminei a vista com as pernas cansadas das escadinhas, mas deslumbrada com a vista que a Torre proporciona. Logo ao lado há o Museu do Exército Português e um simpático e limpíssimo banheiro público mantido por soldados veteranos. Fim de festa em Belém, hora de saborear os famosos pastéis do bairro.



19 de fevereiro de 2011

Captivating charm of Lisbon

Dando um tempo nos meus relatos sobre Lisboa, fui buscar na web matérias que falassem sobre a cidade. Apesar desse blog ter minha cara e estilo, quero dar aos meus leitores muitas opções na hora de planejarem suas viagens. Não seria tão egoísta ao ponto de não colocar outras visões sobre a capital portuguesa. 

Ah! Também conto com a participação de vocês. Se você tem alguma dica para compartilhar com os amigos sobre Lisboa será muito bem vinda!

Continuando: o site Iol Travel foi conferir o charme lisboeta. O link, como sempre, está aí no título. Mas se você está com preguiça de ler, destaco aqui os pontos altos da matéria. 

Ai como sou boa! ;)

Pra começar: Lisboa é a segunda cidade mais visita da Europa. Só perde para Barcelona. Por ano, 10 milhões de turistas vão curtir às igrejas e "pastelarias" de Lisboa. Vale lembrar que nas pastelarias não há pastéis como conhecemos aqui, mas sim bolos, pastéis de Belém, tortas e doces que fazem seu colesterol aumentar só de olhar.

Mas o interessante dessa matéria é ver que o repórter, a princípio, não foi muito com a cara da cidade e logo no começo da reportagem enumera vários defeitos. Porém, no meio do texto, ele se pergunta porque sente saudade de uma cidade que ele achou desinteressante. 


"The charm of Lisbon (for me) is that it does not impose itself in the same way as great cities such as London, Paris, Berlin, New York or Singapore. Its influence is much more subtle and there’s something wonderfully refreshing about that".

Concordo. Lisboa é uma cidade sutil. Não te conquista de primeira, mas vai te pegando por detalhes bem interessantes. Ao longo da matéria - que não é daquelas tradicionais que dizem aonde ir, como e quando - o repórter deixa claro que optou por um passeio por lugares onde os turistas "tradicionais" não vão. Escolheu explorar a linha vermelha do Metrô da estação Saldanha até o ponto final, Oriente. O contraste entre esses dois lugares da cidade é gritante. Oriente, uma estação de metrô, trem e ônibus, tem o toque futurista do espanhol Calatrava, representa a Lisboa moderna, de grandes prédios e avenidas. Por lá há o Centro Comercial Vasco da Gama (Centro Comercial = Shopping Center) e o Parque das Nações.

Dois pontos que tratarei mais à frente, mas que adianto, chamam atenção pelo traço futurista que imprime à cidade. Já Saldanha é a Lisboa tradicional, antiga, de roupas nas janelas e vielas. 

No mais, amigos e amigas, sempre que der colocarei aqui fatos novos e inusitados de Lisboa. Espero que gostem da matéria.


18 de fevereiro de 2011

Padrão dos Descobrimentos

Saindo do Mosteiro dos Jerónimos siga em frente e logo, logo você verá o Padrão dos Descobrimentos. Na verdade você já viu o Padrão em alguma matéria sobre Lisboa. Esse é o ponto turístico mais tradicional da cidade, pano de fundo de qualquer imagem sobre o passado glorioso dos navegadores portugueses e de qualquer matéria sobre Lisboa. 

Para chegar até ele - saindo do Mosteiro - basta atravessar um lindo jardim, (que fica em frente ao Mosteiro), muito bem cuidado, que tem no chão pedras protuguesas (claro!) desenhando os signos do zodíaco e um chafariz muito interessante. Do outro lado do parque há uma passagem subterrânea que te levará ao Padrão.

Toda a grandiosidade do Padrão
dos Descobrimentos.

Foto: Nara Franco
Mesmo que você o tenha visto "trocentas" vezes na TV e em revistas, nada vai te preparar para o tamanho do edifício que Cottinelli Telmo esboçou e Leitão de Barros e Leopoldo de Almeida deram forma. Foi erguido em 1940 por ocasião da Exposição do Mundo Português 
 
O Padrão na verdade imita uma caravela ladeada por duas rampas que se reúnem na proa e onde se destaca, com 9 metros de altura, a figura do Infante D. Henrique, que segura nas mãos uma pequena caravela. Gi-gan-te. 

Ao longo das rampas encontram-se 16 figuras de cada lado representando todas as pessoas que compunham as expedições portuguesas. Há padres, soldados, pintores ... é muito interessante descobrir os detalhes de cada figura e ver como elas foram trabalhadas com precisão.

Dê um tempo no local e vislumbre o Rio Tejo, as pontes e o visual que chega até a Torre de Belém. Na beira do Rio há uma pista de corrida e ciclovia, onde - mesmo no frio - há muita gente se exercitando. Dica para as mulheres: prendam os cabelos porque o vento por lá é cruel. 

No chão, um pouco à frente da entrada do Padrão (lá dentro há um elevador que te leva ao topo do monumento por módicos 5 euros e um espaço para exposições), há uma Rosa-dos-Ventos, presente da República da África do Sul a Portugal, onde se vê num grande mapa todas as ex-colônias portuguesas e suas respectivas datas de descobrimento. Sugiro que seja visto de cima por sua amplitude. 
 
Atenção para os horários
de Maio a Setembro das 10h às 19h - todos os dias - últimas admissões: 18h30

de Outubro a Abril das 10h às 18h - de terça a domingo - últimas admissões: 17h30
 

15 de fevereiro de 2011

Mosteiro dos Jerônimos - III

Quando você acha que já viu tudo de bonito no Mosteiro, eis que surge o claustro. Lindo, lindo, lindo ... Tudo bem que o dia claro e de céu muito azul, fez o lugar ganhar ares de filme. Mas, de fato, é maravilhoso (preciso urgentemente de um dicionário de adjetivos!).


Destinado ao isolamento dos monges, é um local sereno, silencioso e muito tranquilo. Projetado por Diogo de Boitaca, que iniciou os trabalhos no começo do século XVI, foi continuado por João de Castilho a partir de 1517 e concluído por Diogo de Torralva entre 1540 e 1541. Segundo li no meu super Guia, o claustro do Mosteiro dos Jerónimos representa um dos monumentos mais significativos da arquitetura manuelina. Quem puder me fornecer mais informações sobre esse fato, agradeço.

Corredor do claustro
Foto: Nara Franco
Como não tenho conhecimento técnico para descrever o que vi, reservei-me o direito de fotografar o claustro até enjoar. Como é todo de pedra, faz um friozinho ainda maior por lá. Mesmo assim, aprecie o local com calma e moderação. Na ala norte do claustro inferior dê uma olhada no túmulo de Fernando Pessoa, da autoria de Lagoa Henriques, construído em 1985. O túmulo não é nada convencional e muito bonito. Formado por uma espécie de pilastra de quatro lados, conta em cada um deles com poemas de autoria de Pessoa. Singelo, mas muito bonito.

Caminhe mais um pouco e descubra o refeitório.
Construído entre 1517 e 1518 pelo mestre Leonardo Vaz e seus oficiais, tem como destaque paredes revestidas por um silhar de azulejos de 1780-1785. Portugueses amavam e ainda amam azulejos. Talvez não damos o verdadeiro valor que essas peças têm. Até então eu nunca tinha parado para pensar muito neles até ver esses painéis que representam no topo norte o Milagre da multiplicação dos pães e dos peixes (Novo Testamento) e nas paredes laterais cenas da Vida de José do Egipto (Antigo Testamento).

Sim, amigos e amigas, Lisboa é muito católica.

14 de fevereiro de 2011

Mosteiro dos Jerónimos - Parte II

 
Portal Sul do Mosteiro
Foto: Nara Franco
O Mosteiro é lindo. Deslumbrante. O lugar mais bonito que vi em Lisboa. Dei sorte pois o dia estava claro, com muito sol, um céu azul fantástico. Cheguei pelo Portal Sul e não há como ficar indiferente à grandeza do lugar.

Construído entre 1516 e 1518 por João de Castilho e seus oficiais, o Mosteiro tem no Portal Sul sua entrada lateral. A figura central deste maravilhoso pórtico é Nossa Senhora de Belém. Nos tímpanos figuram duas cenas da vida de S. Jerónimo – com vestes de cardeal arrancando o espinho da pata do leão e como penitente no deserto. Sobre o tímpano estão representadas as Armas de Portugal. Vale a pena conferir cada detalhe: são incríveis. De um realismo de deixar o queixo caído. Acabei entrando por ali mesmo pois a extensão do mosteiro assusta. 


Comprei a entrada que dá direito a visitar o Mosteiro e a Torre de Belém. O bilhete individual custa 7 euros (só o Mosteiro). Mosteiro + Torre = 10 euros. Indico essa compra casada até para ganhar tempo. Há ainda a opção Mosteiro + Torre + Palácio Nacional da Ajuda que sai a 13 euros. Sempre vale lembrar: maiores de 65 anos pagam metade desse valor, assim como jovens entre 15 e 18 anos acompanhados dos pais. Domingos e feriados até às 14h a entrada é gratuita. 


Entrada comprada hora de começar a visita. Ao entrar no Mosteiro a primeira coisa que se vê é a Igreja Sta. Maria Belém. Linda de viver! Gigantesca, de uma luz maravilhosa. Para quem é arquiteto, mando a seguinte letra (claro que copiada do site do Mosteiro): "A Igreja apresenta uma planta em cruz latina, composta por três naves à mesma altura (igreja salão), reunidas por uma única abóbada polinervada assente em seis pilares de base circular". Sacaram?


Túmulo de Luís de Camões
Foto: Nara Franco
 Logo na entrada, após se recuperar daquele "ooohhhhh" que a igreja causa, você se depara com o túmulo de Vasco da Gama à esquerda e o de Luís de Camões à direita. Eles mesmos. Não diria em carne e osso porque ali não resta nem pó para contar história, mas são os túmulos das duas figuras mais homenageadas de Portugal. Veja bem os detalhes dos túmulos: naus e caravelas no de Vasco e citações literárias no de Camões. 

Ande por toda a igreja contemplando cada detalhe. São muitos. A abóbada do cruzeiro cobre uma largura de 30 metros. No braço esquerdo do transepto estão sepultados os restos mortais do Cardeal-Rei D. Henrique e os dos filhos de D. Manuel I. No braço direito, encontra-se o túmulo do Rei D. Sebastião e dos descendentes de D. João III.

Há ainda o belíssimo altar, o órgão ... É tudo tão grandioso que é difícil não se pegar de boca aberta apreciando as colunas, as imagens sacras e o deslumbramento dos visitantes. Em seguida, aprecie tudo isso do alto, do Coro-Alto da igreja. Este espaço destinou-se as atividades fundamentais dos monges da Ordem de São Jerónimo - orações, cânticos e ofícios religiosos. Além de um cristo crucificado enorme que de certa forma dá até um pouco de medo, vale muito ver nas paredes um conjunto de pinturas representando os apóstolos (só dez pois perderam-se duas telas em 1755, naquele terremoto que praticamente redesenhou Lisboa) e ainda um S. Jerónimo e um Santo Agostinho, todos de autor desconhecido, mas lindos.